Poções & Encantos by Tânia Gori

A Magia de Ser Feliz

A Magia de Ser Feliz

By Tânia Gori

(Essa história começou a ser escrita em 1996… Deixa eu contar para vocês…)

Capitulo 1

Hoje o dia estava mais brilhante, os pássaros começaram a cantar logo cedo, no ar sentia a brisa que suavemente me beijava. Me enrolei novamente no lençol, queria ficar mais um pouco sentindo seu perfume, seu calor. No travesseiro uma rosa e um bilhete : ” Amor tenha um bom dia … Sempre seu …. P.S: Lembre-se, tá?”

Pensei comigo :  Sempre!

Levantei-me afinal deviam estar loucos com o meu atraso.

Mal cheguei na porta da faculdade, e a Karen já estava falando … falando ….

Tantas coisas vivemos juntas …. Tristezas e alegrias …

Capitulo 2

1995

– Não queria fazer isso!!! Não deu para frear!!! Ela apareceu do nada!!!

O desespero de Nio ao descer do carro era latente. Depois de algum tempo descobri que ele era um rapaz tímido, de aparência desajeitada e andar atrapalhado, mas sempre muito querido.

– Calma!!! Precisamos leva-la ao Pronto Socorro!!!

Willian me pega no colo e me coloca no banco traseiro do carro.

– O que aconteceu?! Ouço ao longe alguém perguntar antes de desmaiar.

Acordei num quarto de hospital, ao meu lado Nio e Karen.

– E ai tudo bem?

– Tudo, o médico falou que só você precisa apenas descansar um pouco, e esperar algumas semanas para tirar o gesso do braço e da perna. – Karen responde com muito carinho em sua voz.

– Queria muito me desculpar, mas não consegui frear o carro – Nio, fala passando a mão pelo cabelo.

– A culpa não foi sua, eu acabei não olhando para a rua ao tentar pegar a Bast ! – Bast é minha gata preta que vive fugindo, e muitas vezes me colocando em situações diversas.

– Amiga, você tem que descansar um pouco, fique tranquila que a Bast está em casa. E você ainda tem uma visita esperando para entrar.

– Quem?

– O Willian está desesperado.

– Não tenho nada para falar com ele!

Karen percebe que não quero mais tocar no assunto.

– Seu namorado me pareceu muito preocupado – Nio entrou na conversa.

– Ele não é meu namorado. Mas mudando de assunto qual é seu nome?

– Antônio, mas todos me chamam de Nio.

– Prazer me chamo Rilay, mas não conseguirei de dar a mão.

– O prazer é todo meu, pena que nos conhecemos em uma situação tão desagradável.

– Talvez como falava minha avó …. “Tem males que vem para o bem….”

Karen e Nio de despedem de mim e saem do quarto. Mais tarde fiquei sabendo que na sala de espera Willian estava desesperado mesmo, seu cabelo desalinhado, andando de um lado para o outro. Ismail que já nos conhecia a muitos anos tentava inutilmente acalma-lo.

– Sou o culpado.

– Rilay é maior de idade, meu amigo! Ninguém é culpado. E além do mais, ela já está totalmente fora de perigo. É melhor você ir para casa, comer um pouco, tomar um banho e vestir uma roupa limpa.

– Não…Não… Se você quiser pode ir, não se preocupe comigo.

Ismail está saindo e minha mãe está chegando.

– Como ela está? – Pergunta minha mãe.

– Não sei, a Karen está com ela.

– Foi grave ?

– Não se preocupe, ela é forte – Ismail entra na conversa para acalmar o amigo.

– Eu sei!

– Como o tempo passou em Willian , afinal faz 5 anos….

Nisso entram na sala Karen e Nio, Willian levanta-se do sofá – Como ela está?

– Fora totalmente de perigo. Nossa! Ela é uma mulher de guarra! – Nio responde.

– O que realmente aconteceu? – Minha mãe entra na conversa.

– Ela quebrou a perna esquerda e também deve uma batida forte na cabeça, por isso precisa ficar de observação, mas não foi nada de tão grave, ela precisa apenas de alguns medicamentos e repouso, em duas semanas já estará totalmente recuperada.

– Podemos vê-la?

– Agora mesmo, só não podemos demorar muito.

Willian vai para a porta do quarto, mas Karen o interrompe : – Ela não quer te ver! Dá um tempo para ela!

Minha mãe entra devagar no quarto e senta numa cadeira perto da cama. Vejo que Willian está logo atrás dela, nesse momento finjo estar dormindo.

– Não seria melhor e mais aconselhável, você ir para casa pelo menos para trocar de roupa, ela não quer você aqui.

– Eu já estou de saída, queria apenas ver como ela está – Sinto a mão suave de Willian no meu rosto, e mesmo lutando contra todas minhas forças sinto meu coração bater mais rápido.

– Você gosta muito dela, não é?

– Ela é muito importante para mim, pena que ela não percebe nem compreende tudo isso.

–  Minha filha é muito inteligente, ela compreende muito bem tudo que está passando.

– Será? Às vezes acho que não.

– Acho melhor ir embora, antes que ela acorde.

Willian me dá um beijo no rosto e se despede de minha mãe. Na porta do hospital esbarra em um senhor, com mais ou menos 56 anos, alto , magro, de aparência muito estranha. Willian o olha por um segundo parecendo reconhecer aquele rosto de algum lugar, mas depois pede desculpas e vai embora.

Esse senhor entra no hospital e vai até a recepcionista: – Em que quarto está a moça que foi atropelada esta manhã? O nome dela é Rilay.

– No quarto 06 no final do corredor – Responde sem dar muita atenção.

O senhor sai meio mancando, abre a porta bem devagar, mas ao ver minha mãe acariciando minha cabeça, resolve não entrar. Sua cicatriz no rosto e suas vestes em tons escuros acrescenta em sua aparência um ar de mistério e sofrimento.

Capitulo 3

Na casa da Karen… Raul, seu irmão, um boa vida, já com seus 30 e poucos anos, está deitado na rede do terraço sem fazer nada.

– Da onde a garota vem ?

– Não te interessa!

– Quem você pensa que é, sua pirralha!

– A Karen?! Estou errada?!

– Você está chegando somente agora, o papai vai adorar saber dessa emancipação feminina…

– Não enche Raul…. Você está ficando muito velho e rabugento!

Raul levanta-se e entra porta a dentro resmungando. Já em seu quarto com seus próprios pensamentos ….

– Por que de uns tempos para cá eu venho me comportando como uma criança em relação a Karen ? Certo que todo irmão tem ciumes da irmã, mas essa posse, não está legal! Já estou exagerando…. Acho que preciso de uma namorada, isso deve ser carência ….

– Filho! Vem jantar! – Solange, sua mãe o chama.

– Já estou descendo!

– Abra essa porta, não sei porque trancar a porta.

– E que preciso estudar em um lugar calmo – Raul abre a porta e sua mãe entra.

– Mas as aulas já não acabaram?

– Estou me preparando para os exames de Direito!

– Ah! Você soube do acidente com a Rilay?

– Não? Que acidente

– Ela estava tentando pegar o gato, quando um maluco atropelou-a…

Os dois saem do quarto conversando para jantar.

Capitulo 4

No outro dia ….

A recepcionista do hospital está assustada e conversa com Alice, minha mãe.

– Ele veio aqui, perguntou dela é foi embora, depois voltou e ficou no estacionamento olhando para o quarto dela quase a noite inteira ….

– Esse homem não deixou nome?

– Não senhora.

– Como ele era ?

– Alto, magro, vestia roupas pretas, usava um bigode e tinha uma cicatriz do lado esquerdo do rosto… Ah! Ele era manco de uma perna.

Nesse momento Willian entra na conversa.

– Ontem quando estava saindo daqui esbarrei em um homem com essas características, e no primeiro momento não me parecia com um estranho.

Nisto meu pai, Daniel, um homem que admiro muito, já com seus cabelos brancos, sempre vestido com elegância e charme. Sua pele morena e realçada toda vez que ele usa uma camisa branca. Ele sempre demonstra sabedoria, seu olhar parece conhecer tudo e a todos.

– Pensei que o senhor não vinha ! – Minha mãe irritadíssima com meu pai.

– Estava em uma viagem que não podia ser transferida e nem cancelada, vim o mais rápido possível.

– Em que praia?

– Além disso sou advogado não médico, não iria resolver nada estando ou não aqui.

– Mas ela é sua filha …

– Sua filha….

– Então porque veio?

– Porque ela não tem culpa da mãe que possui e além disso eu a amo demais, senão não teria casado com você a 26 anos atrás…. Não concorda, Alice?

– Um dia me livro de você para sempre!

– Marque a hora com minha secretária, sou um homem muito ocupado.

Minha mãe o deixa sozinho na entrada do hospital e senta-se ao lado de Willian, que não participou em nenhum momento dessa conversa. Daniel caminha atrás de Alice e Willian se levanta.

– Senhor Leon?

– Sim? Te conheço?

– Willian, filho do falecido Sr. Rodrigues…

– Seu pai foi meu cliente, a mais ou menos 5 anos….

– O senhor tem uma memória muito boa.

O médico entra na sala de espera avidando que podem entrar duas pessoas de cada vez para vistar-me.

Daniel vira-se e segue o médico.

– Oi filha!

– Oi pai! Como estou contente com você aqui.

– Você está ótima – Daniel me dá um beijo da testa.

– Estou me sentindo horrível!

Daniel pega minha mão e coloca uma pulseira em meu pulso.

– Espero que goste.

– É linda, gratidão!

Ele me dá um sorriso e isso enche me coração de emoção.

– Você está um pouco pálida, precisa se alimentar direito.

– E você me parece um pouco preocupado. O que aconteceu?

Nisto minha mãe entra no quarto…

– Rilay, Willian quer vê-la.

– Escuta o que ele tem para falar – Meu pai me orienta com tom meigo.

Depois de uma respiração funda.

– Fala para ele entrar.

– Vou embora, mas amanhã eu volto, quer algo?

– Fica aqui comigo?

– Não posso filha, amanhã virei com mais tempo, ok?

– Adorei o presente.

Daniel dá um sorriso e sai do quarto.

– Tudo bem, bela adormecida, ou melhor bela atropelada. – Willian brinca e me entrega uma flor.

– Tudo…

– Você está melhor. – Willian senta na cadeira ao lado de minha cama e segura a minha mão. – Eu te amo, será que você não entende? Ou você está agindo assim para me castigar?

– Você já me falou isso!

– Estou falando mais uma vez, irei falar quantas e quantas vezes forem necessárias para que você me compreenda. Será que não percebe que a vida nos deu vários caminhos, caminhos bons e ruins, verdadeiros e falsos, com várias pedras, tortuosos na grande maioria e que nos trazeram várias decepções. Somos livres para escolhermos o qual parece ter menas pedras e sabe porque fazemos essa escolha? Apenas por medo de enfrentarmos os nossos fracassos, os nossos próprios medos. Será  que você nunca fez um escolha errada?

– Quantos dia ficou decorando o texto?

– Rilay, estou falando serio. Você me faz muita falta. Como gostaria de ter você novamente nos meus braços, beijar sua boca. Você me despreza tanto e no fundo é o que mais quero nesse mundo.

– Fala sério…. vou comprou um almanaque para ler tudo isso.

– Comprei o almanaque do Tio Patinhas… Pô! Você não vê que estou falando sério – Willian levanta e vai até a janela.

– Não me diga!

– Você não me trataria assim a cinco anos atrás…

– É … a cinco anos atrás estava perdidamente apaixonada por você, achava que tinha encontrado o amor da minha vida… Tinha achado um príncipe encantado… Mas esse príncipe virou sapo…

– Mas você não compreende que não posso viver sem você! – Willian novamente senta-se ao meu lado…

– A hora de visita terminou – A enfermeira entra no quarto avisando.

Willian levanta-se me dá um beijo de leve e sai do quarto.

Estava totalmente perdida em meus pensamentos no momento que Karen entra no quarto.

– Tudo bem?

– Tudo … Que surpresa gostosa!

Nisso a recepcionista entra trazendo um lindo buque de rosas vermelhas.

– Nossa que rosas lindas! – Karen vira-se para pegar o buque e ler o cartão.

– Quem mandou isso ? – Pergunto, mas já imaginando a resposta.

– O Senhor Willian …. – A recepcionista entrega um cartão a Karen – ” Querida Bela Atropelada, essas rosas representam o quanto te amo, a cor vermelha representa seus lábios. Precisei sair, mas logo estarei de volta. Um beijo dá pessoa que mais te ama nesse planeta… Do seu Willian!”

– Jogue as rosas fora!

– Por que essa guerra toda, que coisa besta, as rosas não tem culpa de seu mal humor. Você fala que não quer nada com ele, mas seus olhos e seu corpo monstra outra. Pare com essa frescura.

– Eu não amo ninguém! – Aquela conversa já estava me deixando irritada.

– Pare de mentir para você mesma… Você tem medo que ele não te ame de verdade e que esteja a fim somente de um passa tempo. Se isso fosse verdade ele não ficaria aqui… Ele tem muitas mulheres atrás dele, não teria necessidade nenhuma de ficar atras de você.

– Nossa! Bela amiga é você!

– Pense um pouco Rilay, as coisas mudaram, vocês estão mais maduros… Não é como a 5 anos.

– Como você pode ter tanta certeza assim!

– Os gestos dele, a preocupação com você!

– Oh! Karen… Você é minha melhor amiga, sabe tudo que aconteceu e mesmo assim não compreende?!

– Te compreendo muito mais que você imagina. Mas acho que o amor tem quer ter a segunda chance.

– Humm… Você está apaixonada!

– Eu preciso ir – Karen levanta olhando o relógio e se dirigindo para a porta – Tchau …

– Você não me respondeu!

– Que besteira Rilay, tenho muitas coisa para me ocupar.

Capitulo 5

Enquanto isso….

Passeando em uma praia não muito longe dali, Daisy leva um susto com o encontro que leva com um jovem moreno que quase cai no seu colo.

– Meu Deus! Está chovendo homem!

– Me ajuda – O jovem fala  com a voz mole, não conseguindo controlar as palavras.

– O que aconteceu? – O rapaz cai na areia.

– O que você tem ? – Daisy levanta um pouco a cabeça dele, colocando a blusa que estava segurando como travesseiro. Nisso ela repara no belo porte desse homem, moreno alto, sua jaqueta jeans com algumas manchas de sangue ….

– Você precisa ir para um hospital, está machucado! Você não está legal!

– Não! Eu não posso! – Ele agarra sua mão – Eu sou um assassino…

– O quê ?!

Daisy fica assustada, mas mesmo assim consegue pedir ajuda para coloca-lo no carro e leva-lo para o hospital.

– O seu amigo está fora de perigo. Ele deve uma reação normal a quantidade de coca com limão e vinho que ele ingeriu. Vocês jovens não deveriam se drogar com essa frequência!

– Ele não é meu amigo, não sei nada dele, nem mesmo o seu nome.

– Ele está mostrando um quadro de depressão crônica, parece que perdeu o sentido de tudo.

– Posso vê-lo?

– Sim.

Daisy entra no quarto… Ronaldo está deitado com os olhos fechados.

– Não queria que me trouxesse para cá – Ronaldo fala abrindo os olhos.

– Então não pedisse minha ajuda.

– Eu não pedi nada, gostaria que tivesse me deixado morrer.

– Nossa que mau agradecido. Posso saber seu nome.?

– Ronaldo…

– Quem você matou?

– Não quero falar disso agora.

– A onde você mora? Quem eu aviso? Sua família deve estar preocupada contigo?

– Não tenho família.

Ronaldo vira a cabeça para o lado fechando os olhos.Daisy acha melhor sair do quarto.

Ao sair do quarto encontra com Karen.

– O que você está fazendo aqui?

– Vim trazer um amigo que estava passando mal…A Rilay está melhor?

– Sim… e seu amigo?

– Também, tanto que estou indo embora.

– Eu também…

As duas vão embora….

Longe dali ….

Raul está conversando com Frei Henrique na igreja perto de sua casa.

– Henrique não sei o que fazer…

– Porque?

– Cada dia que passa estou ficando mais e mais possessivo em relação a Karen.

– Meu filho , isso é normal entre irmãos.

– Não é…O que sinto é  paixão… Amor de um homem por uma mulher. Desde criança queria me casar com ela. O que mais desejaria é que ela não fosso minha irmã.

– Isso é uma confusão passageira em seu coração.

– Eu já pensei misto, mas cada dia está mais e mais forte.

– Deus vai tirar esses pensamentos de sua cabeça. Ela sabe desse seu amor?

– Não,você é a primeira pessoa que consigo falar desse segredo.

– Então não fale com mais ninguém, ok?

– O.k! Reze por mim…

– Um bom começo para resolver esse mal entendido do seu coração e sair mais , conhecer outras pessoas, arrumar uma namorada.

– Vou tentar.

Raul levanta e caminha para fora da igreja. Henrique olha para a imagem do crucifixo…

– Sabia que esta farsa tinha que acabar com desgraça.Oh! Meu Deus! Ajude-me a encontrar uma saída.

Fora da igreja…

Raul encontra com Priscila, uma antiga colegada Karen.

– Oi?

– Oi – Priscila responde desconfiada, mas a beleza do rapaz chama a sua atenção,algo nele não é estranho.

– Raul, irmão da Karen.

– Ah! Como vai a Karen?

– Bem e você?

– Bem!

– Você sumiu lá de casa!

– Falta de tempo…

– Só isso?

– Não só, também estava viajando.

– Para onde?

– Para o Nordeste.

– E um lugar lindo,mas mudando de assunto um pouco o que você vai fazer agora?

– Nada!

– Então vamos no ponto de encontro bater um papo e recordar os velhos tempos?

– Uma ótima ideia.

Capitulo 6

No Ponto de Encontro….

– Pensei que você não gostasse da minha companhia, a Karen não comentou nada que você estava viajando!

– Que isso!

– Você sabe que a Rilay foi atropelada ?

– Não! Quando foi isso?

Os dois começam a falar … falar …. e pouco a pouco Priscila vai gostando mais de estar ali. Com isso ambos perdem a noção de tempo.

No Hospital…

Willian está sentado na escadaria do hospital, quando Ismail vem saindo e se senta ao seu lado….

– Oi!

– Oi!

– Ela está bem?

– Está dormindo!

– Por que dessa tristeza meu amigo, ela está fora de perigo.

– Ela deve gostar de outra pessoa.

– Trabalho com ela a 4 anos e nunca a vi sair ou falar de ninguém a não ser de você.

– Já estou de volta a 1 ano e ela continua me tratando como um ser repugnante.

– Olha amigo, eu não sei o que aconteceu entre vocês, não sei porque terminaram, porém tenho certeza que ela o ama, mesmo que demostre e lute pelo contrário.

– E com isso eu é que sofro?

– Será que ela também não está sofrendo?

– Duvido… Eu estou aqui disposto a esquecer de tudo.

– Será que não é melhor você pensar um pouco no que ocorreu entre vocês, e o que realmente causou a separação?

Ismail levanta-se – Eu já vou….

Willian entra no hospital e com um movimento leve abre a porta de meu quarto.

– Está acordada?

– Estou!

Willian vê as rosas no cesto ao lado da cama.

– Pelo visto não  gostou das rosas, não é ?

– Não as rosas são lindas, não gostei de quem as mandou.

– Será que você não vê que não aguento mais viver nessa guerra contigo. Ficar pensando em você dia e noite. Ficar pensando que você está com outro. E sentir uma inveja louca dessa pessoa que nem se sabe quem é. Eu passei 5 anos pensando que jamais te encontraria.

– Para! Tudo que me diz me traz mais raiva! Será que a 5 anos atrás você pensou se eu podia ou não viver sem você?

-Estão tudo foi fingimento?

– Fingimento?

– Sim … aquele amor sem fim!

– Sempre procurei alguém que me amasse verdadeiramente, precisava de alguém meigo e carinhoso, que me escrevesse frases de amor nos meus cadernos e me dizes-se que sou bela e pequena, que apenas cuidasse de mim – A cada palavra falada uma lágrima desce de meus olhos – Você brincou com todos esses sentimentos, eu te amava mais que a mim mesma, me sentia como uma criança que acaba de ganhar um presente, e de repente acordo sem você … Você simplesmente foi embora…. sem me deixar nada.

– Você me mandou embora….

– Você só queria sexo, e eu queria mais…

– Vi isso só depois…Me perdoa…

– Perdoar … Perdoar após algumas horas e já ver você nos braços de outra ?

Willian sai do quarto sem mais uma palavra, meu coração fica apertado, uma vontade louca de gritar VOLTA EU TE AMO… VOU ESQUECER TUDO…mais uma lágrima escorre pelo meu rosto,morrendo em minha boca, sinto o amargo gosto da perda.

Ao Cair da Noite …

O homem estranho ronda o hospital, da janela de meu quarto o vejo, não sei porque a figura daquele homem não me era desconhecida. De repente ele percebeu que eu estava olhando e olha para cima nossos olhos se encontram, sinto uma sensação estranha. Ele se afasta mancando. Fecho a cortina empurro a cadeira de rodas para longe da janela….

Capitulo 7

No outro dia ….

Karen bate na porta do quarto de Raul para chama-lo para o café da manhã….

– Raul, a mãe está chamando  para o café ….

– Entra a porta está aberta…

– Que bagunça – Karen entra e começa a arrumar o quarto, Raul levanta e a segura pelo braço. Karen deixa cair o cobertor que estava segurando …

– Larga isso!

– Por que?

Um silêncio profundo invade o local … Surge entre eles um clima romântico, Raul vai chegando mais perto dos lábios de Karen…

– Acho melhor ir tomar o meu café – Karen sai do quarto confusa e lá fora encostada na parede ela escorrega até o chão.

– Karen o que está acontecendo com você ?

– Aconteceu alguma coisa, filha? – Solange chega perto dela com ar de preocupação – Parece que viu um fantasma.

– Não – Karen levanta-se do chão – Estou sem fome.

– Mas você falou que estava faminta quando subiu…

– Perdi a fome ….

– Esses jovens …..

Enquanto isso ….

Willian está na cozinha de sua casa, da geladeira tira uma lata de cerveja,quando sua mãe entra …

– Não acha cedo para começar a tomar cerveja?

– Acho que já sou bem grandinho,não acha ?

– Para mim você continua sendo aquele menino de sempre ….

– Mas eu já cresci…

– Ah!!!  Já se acertou com aquela garota?

– Não.

Willian levanta-se da cadeira e sai da cozinha, no jardim recordar-se de nosso primeiro encontro…5 anos atrás  …Estamos todos na sala de aula… Ele entra e seus olhos rondam a sala inteira e param nos meus por um segundo que parecem horas, ficamos assim um olhando para o outro sem falar uma só palavra….

– Estou aqui para substituir a professora Claudia de História, meu nome é Willian, como já me apresentei , gostaria de saber o nome de cada um. Vamos começar por você, qual seu nome.

– Rilay — Meu coração dispara sinto o mundo rodar, falta o meu ar, a voz parece não querer sair…

Continua a apresentação de toda a sala…. Bate o sinal em nossa lembrança e na realidade uma cobra vem se arrastando pelo chão. Willian se assusta e vira para o lado, mas a cobra se enrola em seus pés….

Capitulo 8

Willian levanta-se rapiadamente chamando seu mordomo.

– Alfredo!

– Sim!

– Tudo bem que você quer ter seus animais estranhos, mas não os quero solto em meu quintal… Compreendido?

– Nem o leão?

– Muito menos o leão, ora Alfredo tenha santa paciência.

Alfredo pega sua cobra… – Ah! Josefa, menina arteira, vem com o papai… Desculpe Sr. Rodrigues.

Alfredo sai levando a Josefa para dentro de casa.

Uma semana após esse ocorrido minha mãe encontra meu pai caído no escritório. Consumirá 1/2 garrafa de conhaque e dormia profundamente, o charuto aceso em seus lábios soltava algumas faíscas e o risco de acidente era enorme….

– Daniel!

Sua voz sai tremula e apavorada ao pensar no que poderia ter acontecido, meu pai abre os olhos lentamente e seu rosto demonstrava muita tristeza…

– O que você está fazendo?

– Acho que salvando sua vida!

– Você está se tornando a defensora das causas perdidas, pelo que estou vendo. Afinal não é você mesma que falou que queria se ver livre de mim?

– Não seja um homem que tem pena de si mesmo, não combina com você.

– Você não sabe nada a meu respeito.

– Acho que te conheço bem. Não sei o que está acontecendo, mas seja um pouco mais homem, levanta , tome um banho, enfrente seus problemas…. Siga em frente…

O telefone toca.

_ Alo? Que bom! Rilay estará de volta hoje… que horas …. às 15h…. Obrigada irei busca-la.

Minha mãe desliga o telefone e chama o Roldofo, nosso mordomo.

– Rodolfo prepare o quarto de Rilay ela volta hoje.

– Sim D. Alice, mas meu nome é Roldofo.

Roldofo sai e encontra com meu irmão, Erik, na escada…

– Que bagunça é essa ?

– Rilay volta recebeu alta hoje?

– Rilay está doente?

– Se você ligasse um pouco mais para sua família saberia que sua irmão sofreu um acidente na rua, já faz uma semana.

– Cadê o papai?

– Está no quarto dele.

Capitulo 9

No Ponto de Encontro …

– Sabe está semana que passamos juntos foi a melhor de minha vida… – Raul fala para Priscila, fixo em seus olhos.

– A minha também…Descobrimos muitas coisas em comum.

– Por isso queria saber se você quer casar comigo?

Priscila solta das mãos de Raul – O que? Você bebeu? Casar?

– É Casar ….

– Mas como ? a gente nem se conhece !

– Não faz mal, com o tempo de noivado, agente vai se conhecendo… Muitas tradições fazem casamentos sem que o noivo e noiva se conheçam…

– Não sei …

Raul vê que Priscila está assustada, pega novamente em sua mão, vira as palmas e no meio delas deposita um beijo carinhoso, olha bem fundo em seus olhos…

– Casa comigo?

– Mas você não me ama…

– Acho que sinto um enorme carinho por você e além disso existe uma grande atração física entre nós e você não pode negar…

– Mas o casamento não é somente sexo…

– É verdade, mas que ajuda, ajuda….

– Preciso pensar …

– Está apaixonada por alguém?

– Não!

– Então casa comigo?

Priscila fica em silêncio…

– Amanhã a levarei em minha casa para te apresentar como minha futura esposa! – Raul dá um sorriso…

Às 15:30h no hospital ….

Do quarto escuto a voz de minha mãe no corredor ….

– Cadê minha filhinha!

A enfermeira está saindo comigo do quarto, ainda estou de cadeira de rodas, Erik vai ao meu encontro.

– Oi maninha…

– Oi….Não veio nem me visitar …

Erik vira-se para a enfermeira …

– Pode deixar que eu a levo!

Minha mãe me beija no rosto.

– Tudo bem?

– Melhor agora que estou indo para casa …. E o papai?

– Não sei, mas vamos parar de conversa e vamos para casa  – sinto que a expressão de mamãe mudou, mas acho melhor não continuar a conversa.

O carro para na frente de minha casa e Roldofo vem abrir a porta, sinto uma energia estranha, enquanto Erik monta a cadeira.

– Você tem uma visita que está já está te esperando mais ou menos duas horas.

– Quem será? Napoleão…

– Vamos entrar porque esta visita te adora – Minha mãe entra na conversa.

– Você ! – Não sabia se meus sentimentos eram de raiva ou de emoção.

– Lógico que sou eu quem você esperava? – Willian vira para mim com um lindo sorriso.

Tento não me deixar abalar – Qualquer alma viva, menos você….

– Eu sei que seu amor por mim é grande…

– Erik me leve para o quarto , estou cansada.

Saio da sala com a ajuda de Erik e ainda escuto minha mãe falando com Willian…

– Não ligue para ela, meu filho… Isso passa…

– Eu não desisto fácil… Já desisti uma vez não vou desistir a segunda ….

No Outro Dia …

– Pai, mãe e Karen hoje depois do jantar tenho uma surpresa para vocês…

Karen termina sua xícara de café …

– Arrumou emprego ! Milagres acontecem…

– Vou trazer minha noiva aqui!

Solange engasga com o suco, Marcos dobra o jornal e Karen olha espantada.

– Meu filho, o que você aprontou com a moça?

– Nada pai! Que bobeira!

– Quem é a felizarda?

– É a Priscila.

– Mas ela não estava viajando?

-Ela voltou e um anjo a fez cair nos meus braços.

– Parabéns, mas agora tenho que ir …. Karen pega a bolsa , dá um beijo em toda família… Raul fica desiludido com a reação da Karen. Mas afinal qual a reação que ele estava esperando?

Enquanto isso…

Em minha casa, Alice está sentada no sofá lendo uma revista e Daniel vem descendo as escadas. Ela Levanta-se, fechando a revista e se dirigindo para ele…

– Precisamos conversar…

– Sobre o que?

– Sobre ontem?

– Não temos nada para conversar.

– Como nada? E aquela sua bebedeira?

– Um homem não pode beber um pouco demais?

– Então por um mero capricho de Vossa Excelência, quase que coloca fogo na casa inteira?

Um som de tapa enche a sala e Alice cai sentada no sofá, chorando. Daniel arrepende-se e senta perto dela… Roldofo escuta tudo… Alice se afasta de Daniel.

– Eu devia ter deixado você morrer … Eu quero que você morra!

– Eu não ia fazer isso, você me tira do meu juízo normal!

– Quando você voltar suas coisas estarão arrumadas na cozinha,não quero mais você nessa casa.

Daniel levanta-se e sai da sala….

(continua mais tarde ….)

 

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16 Respostas »

  1. Senhora Tânia, hoje ao meditar, senti muitos pensamentos especiais, me lembrei do que era importante, mas algo me desconcentrava e incomodava muito, algo que não conseguia ter controle, era um formigamento muito forte no topo da cabeça. O que significa?

  2. Olá Tânia, sou Matteus. Desde pequeno sinto que tenho uma sintonia com a água, no meu caso, todo dia quando chovia e eu estava doente, tomava o banho da chuva inteira e ficava melhor e até me sentia forte. Com o tempo, achei que era coisa da minha cabeça, mas quando num lugar está ventando muito, sinto que posso ouvir o vento falando com minha alma. Bom, não sei até onde isso tudo é fantasia, mas gostaria de um feitiço pra falar com um espírito que represente o elemento água e vento. Existe algum? e se existir podes me passar? atenciosamente e agradecido desde já!

    • Olá Matteus
      O Maior feitiço que pode existir e estar junto com a chuva, com o vento e deixar pouco a pouco cada elemento fazer parte de sua vida, de seu dia a dia, tudo na natureza tem sua hora e seu momento certo … assim no momento que os elementos quiserem entrar em contato contigo apenas esteja aberto, sem medo que assim cada elemento está contigo…
      Beijos Encantados
      Tânia Gori

  3. Ciao, Tania! Estou precisando de uma ajuda sua, estou procurando um feitiço da Marcia Frazao, aquele com agulhas. O namorado de uma amiga minha ultimamente esta sonhando com datas de acontecimentos negativo onde envolve ele e ela. Ele ve um altar e mulheres em torno sem os olhos em uma delas o viso da minha amiga. Falaram para el que se trata de uma antiga namorada de 14 anos atras que fez um feitiço para ele. Esta negatividade começa a influenciar no trabalho dele. Por isso eu pensei que aquele ritual podia ajudar. Te agradeço imensamente.Regina

  4. ola Tânia Gori se eu fiser com graveto de comer suxi da serto

    • Olá Emanuela
      Na magia pode se fazer qualquer coisa. No momento que passamos um ritual e porque ele funcionou com muitas pessoas, mas cada pessoa pode experimentar coisas diferentes, e a mesma coisa que um gênio aparece para você e diz que 5 números x serão sorteados na Mega sena , vc vira para o gênio e fala , mas não posso jogar outros números , logico que pode, isso não significa que você vai ganhar o premio.
      Beijos Encantados
      Tânia Gori

  5. a eu tambem adorei
    beijos
    encantado Eduardo

  6. Minha querida, sabes bem como utilizar as palavras!!! AAAMOOO teus textos!!! Parabéns!!!
    Um feriado tranquilo e um final de semana encantado e mágico a ti e aos teus!
    Te adoro!
    ‘Maxi’.

  7. ADOREI A HISTORIA CADE O RESTANTE ? KKK BJ MICHERLOTTA

Gratidão pelo seu comentário ... Estarei respondendo assim que possível... Beijos Encantados ... Tânia Gori

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